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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Em 2011

Em 2011 espero fazer tantas viagens quanto possível, encontrar culturas diferentes, como foi o caso desta viagem a Istambul.
Pode-se achar supérfulo, mas sabe bem sair deste pequeno país e encontrarmo-nos com o desconhecido.
Posted by Picasa

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Copo de Água - II

O que transporto não é mais de que um líquido estanque, ansiosamente à espera de continuar a sua viagem.
A água que contenho irá saciar qualquer que seja a necessidade do receptor da mensagem que transporto comigo.
A função que faz de mim ser, não é objectiva na medida que estou dependente de quem me escolhe, da forma como essa pessoa me apreende, contudo a minha mensagem é unívoca.
Entendo desta forma que não sou, quando sou função, sou quando sou experienciado.
Considero-me um copo simples na forma e sou eficaz na execução da minha função.
Tenho um amigo que em nada é semelhante a mim, mais requintado na forma, mas a sua função nada difere da minha. Mas será mesmo? Ele não tem a certeza e eu por vezes também não o consigo ajudar, também tenho as minhas dúvidas.
A minha simplicidade permite-me ser operacional, de fácil percepção, a minha definição é facilmente apreendida, gosto muito da expressão “Sou aquilo que Sou e os outros vêem-me assim”, tal como uma criança, ou mesmo um animal, nada esconde, tudo é fácil e simples, a comunicação flui facilmente. Sei quem sou e os outros sabem-no também.
O meu amigo e colega de trabalho, por vezes tem questões sobre a sua existência. Não é simples na forma e nem sempre compreende se está a comunicar de forma eficaz, é lhe pedido que desempenhe a mesma função,por isso somos colegas; isto aparentemente porque exigem-lhe um acrescento de outros objectivos. A sua função de transporte não é a única função e não temos a certeza se é isso que lhe é pedido, porque lhe pedem para transportar o mesmo líquido e tantas outras coisas, sentimentos, desejos, prazeres, que ao certo não sei se me conseguimos ver a essência do ser, por vezes nem nós temos a certeza do que somos. A ambiguidade faz-nos questionar de que forma somos experienciados? de que forma me apreende?
Quanto maior é o distanciamento do arquétipo, maiores são as dúvidas experiências, existências. A comunicação não flui, torna-mo-nos mais complexos.
O ser humano não é assim tão diferente.
Quando somo crianças sabemos o que queremos e é fácil comunicarmos com o que nos rodeiam.
Á medida que vamos crescendo, começamos a perder a capacidade de comunicar, porque nos tornamos mais complicados. Quanto mais complicados nos tornamos maior é a incerteza do que o que pensamos que somos ser, maior é a distância do que é apreendido de nós, da forma como os outros no vêem. E qual de nós realmente somos?
Penso logo existo, da forma como me olho.
O homem não existe sem comunicar, o que faz questionar a existência humana.
É a comunicação que nos faz existir?
Eu sou como me vêem ou sou como penso que sou?
São as minhas escolhas que me definem?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Relógio

A ausência de assunto do meu blogue tem algum tempo. Sendo assim hoje vou partilhar convosco a ideia que tenho sobre o relógio.

Quem me conhece sabe que tenho uma certa aversão a este objecto.

Mas o que me levou a pensar falar sobre este assunto tem muito a ver com uma experiência recente, que está a ser vivida de forma colectiva, mas apesar de ser colectiva, à media que o tempo passa e que cada um partilha a sua memória constata-se que esta é individual (única).


Relógio : Objecto que nos remete para o compasso do tempo num determinado espaço.

A nossa vida não é mais que a soma de todos os tic-tacs diluídos no espaço.

O quadro Persistência da Memória, de Salvador Dali, remete-me para esta ideia de tempo, que apesar de ter um compasso totalmente objectivo, preciso, numa dimensão científica, ao mesmo tempo, emprega a ambivalência de ser totalmente subjectivo, na medida em que Dali representa os diferentes relógios deformados, estas formas orgânicas incitam para uma subjectividade associada à percepção da realidade. O tempo é vivido no momento exacto da sua passagem, mas apenas é experienciado nas nossas memórias, e é esta percepção das vivências que é sempre subjectiva, porque a forma como vivo uma determinada experiência passada hoje é diferente da forma como experienciarei amanhã e foi certamente diferente da forma como a percebi (se é que percebi) no instante em que o relógio como instrumento cientifico marcou essa vivência.

A meu ver, no quadro Persistência da Memória a organicidade de cada relógio representa isso mesmo, a subjectividade das nossas memórias que utilizam um instrumento preciso para marcar algo que só é objectivo no momento em que o relógio marca a hora.


Qual o sentido do relógio? De que me serve marcar o tempo com o intuito de sermos objectivos e precisos, se tudo o que precede ou advêm da informação dada pelo relógio é subjectiva?

Para quem não conhece o quadro aqui fica a imagem:


Persistência da Memória , foi pintado a óleo, aplicado sobre tela com 24,1x33 cm. Encontra-se exposto no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.

sábado, 20 de junho de 2009

to solve a problem you must
first understand it
- kim goodwin

sábado, 23 de maio de 2009

Abordagens de Nada

Nada é um pronome indefinido, singular, masculino. Significa coisa nenhuma, o que não existe, o não-ser, denuncia uma fragilidade.

Vários filósofos reflectiram sobre o tema, nenhum o aprofundou verdadeiramente e de momento necessito de trabalha-lo, não como filósofa que não o sou, não sei se de forma profunda, mas de forma que me leve a algum lugar.

Segundo os filósofos gregos, o nada é a negação do ser, e é esta a definição dos dias de hoje em qualquer dicionário.

Mas para quê e como se nega o ser?

Platão -
levanta precisamente esta questão, que função pode "o nada" desempenhar na concepção do ser.

Aristóteles -
afirma que "nada" é já em si uma afirmação de não ser.

Kant -
parte da filosofia transcendental que supõe que o conceito de nada esteja divido entre o possível e impossível, aplicando-se conceitos categoriais e de acordo com cada um deles há vários tipos de nada.

Hegel -
afirma que o ser e o nada são indeterminados; Ao esvaziar-se o ser de toda a referência percebe-se que o ser e o nada são a mesma coisa.

Bergson -
a ideia de nada é uma pseudo-ideia, na medida em que suplanta um ser por outro ser; A representação de um objecto como não existente acrescenta á ideia de objecto a ideia de exclusão desse mesmo objecto.

Heidegger -
contraria as ideias anteriores de que o nada é a negação do ser e afirma que o nada é o elemento que permite a sustentação do ser; Este nada descobre-se na têmpera da angústia.

Sartre -
Sustenta as afirmações de Heidegger e corrigia-se quando defende que o ser pelo qual o nada vem ao mundo deve ser o seu próprio nada; Para ele o problema da liberdade condiciona o aparecimento do nada.

Aristóteles trabalhou o nada do ponto de vista do ser, Platão trouxe-nos a função, Hegel a essência, Bergson a problemática da representação, Heidegger a existência, Kant categoriza, e Sartre sustenta a existência e enfatiza o problema da liberdade.

Ficámos com uma ideia das abordagens distintas, do nada adoptadas pelos nossos filósofos estas abordagens são, em alguns casos, até contraditórias.

Proponho num futuro próximo trabalhar de uma forma lógica e sempre que possível criativa, todas estas ideias.